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Sobre o início e o fechamento de ciclos naturais.

Um dos maiores medos humanos é o de iniciar algo novo. O de sair do conhecido. O de abrir as portas e o horizonte para uma nova perspectiva... Sair da zona de conforto causa desconforto. Irrita. Cria confusão. E tudo isso é natural que seja assim. Quando eu me vejo desnorteada, confusa, paro e presto atenção ao que o meu corpo está querendo me dizer. E percebo: deslocar-me simbolicamente, movimentar-me de uma perspectiva de realidade para outra, cria em mim uma necessidade iminente de desconstruir o meu antigo eu. E isso causa angústia. Iniciar um novo projeto. Um novo relacionamento. Um novo emprego. Um novo curso. Uma nova identidade, etc. Os exemplos vão ao infinito... Contudo, a sensação quase sempre é a mesma: a de que as condições atuais, no prelúdio ou no bojo dessa transformação, são desconfortáveis. Geram aflição e ansiedade. Ao perceber isso, comecei a lidar com a minha ANGÚSTIA NECESSÁRIA com mais paciência. Passei a aceitá-la e a respeitá-la. Deixei de tentar contê-l...

Reflexões sobre o sexo...

Ontem, conversando com um amigo, surgiu o assunto sexualidade. Mais especificamente, o assunto "modalidades sexuais". Dizíamos que entre a penetração e as preliminares não existe uma hierarquia, afinal, cada um desses atos atende a uma necessidade momentânea específica. Eis que ele solta a seguinte frase: "não importa o que fazemos, mas com quem fazemos". Bingo! Num mundo onde ainda é tão forte a crença de que a penetração é que é "sexo de verdade", e de que tudo o mais enquadra-se nas denominadas preliminares, não é de se espantar que a lógica que reina é a de que as preliminares vêm primeiro, para só então vir o "sexo de verdade", como o grande prêmio a ser conquistado. Assim, bem mecânico mesmo. Como um script que alguém escreveu e que continuamos seguindo. Ocorre que, como bem salientou o mencionado amigo, no final das contas não importa como você começa nem  como você termina, mas com quem você desenvolveu a interação sexual. E mais: d...

Sobre "lugar de fala", "mimimi" e "racismo e homofobia são opiniões".

Quantos anos você tem? Vinte, trinta, quarenta? Talvez mais... Isso significa que você está há vinte, trinta, quarenta ou talvez mais anos vivenciando a sua própria experiência somente. Você enxerga com os SEUS olhos, sente com a SUA pele e interage com o SEU corpo 365 dias por ano há... anos. Ou seja, você nunca soube e nunca saberá o que é enxergar com os olhos e interagir com o corpo de alguém completa mente diferente de você. O que você sabe sobre como o outro se sente são ideias, apenas.  Conjecturas mentais . E tais conjecturas podem ser feitas a partir de um achismo sem qualquer embasamento fático, ou de um conhecimento supérfluo sobre a vida do outro, ou de um conhecimento mais aprofundado aliado à empatia. A origem das criações mentais (conjecturas) é você quem escolhe. Quando você opta por compreender a realidade do outro profundamente, empaticamente, naturalmente você reconhece que o seu lugar é completamente diferente do lugar do outro. Ou seja, você compreen...

Sobre o fóssil de Luzia e a nossa ancestralidade.

Lendo sobre o trágico incêndio que destruiu o acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, deparei-me algumas vezes com a imagem abaixo, do fóssil humano mais antigo já encontrado, que remonta há cerca de 13.000 anos, denominado de Luzia... E, apesar da inestimável perda que o mundo teve pelo fato mencionado, é sobre Luzia, e não sobre o incêndio, que eu gostaria de propor uma reflexão. Como se pode notar na reconstituição do fóssil, Luzia tinha traços faciais hoje caracteri zados como "afrodescendentes". Em outras palavras,  Luzia era negra . O que significa dizer, sem medo de errar, que eu, você, minha vizinha, seu melhor amigo e nosso presidente necessariamente descendemos de negros. Necessariamente, sem precisarmos reconstruir nossas árvores genealógicas. Isso é pura lógica em ação. Se fôssemos reconstruí-las, no entanto, provavelmente (com uma probabilidade muitíssimo alta) descobriríamos que também descendemos de indígenas, de "brancos" e de o...

Divagações sobre a autenticidade.

T odos morreremos: eu, você, este planeta e até o Sol; todos seremos, um dia, história não contada, relegada ao esquecimento do infinito... Passar por esta curta caminhada, chamada vida, sem experimentar ou experienciar as sensações, só para enquadrar-se numa cartilha do "bom cidadão", inventada com algum propósito desconhecido, é só mais uma forma de passagem, tão insignificante quanto qualquer outra - com a diferença de que alguns dão ouvido aos seus instintos e ao coração,  enquanto outros, não... Depressão, angústia, ansiedade, etc, são os chamados do corpo para uma desarmonia mental-emocional-física. O corpo sente e comunica esta desarmonia: é preciso FAZER algo. É preciso estar presente . Desagradar não é demérito algum numa sociedade claramente desequilibrada. Se os outros não ouvem o chamado dos seus corações, você não precisa enquadrar-se nesta moldura só porque ser feliz é visto por eles como uma ofensa pessoal. Isto é problema DELES. O seu único problema ...

Breves considerações sobre as mudanças.

Intuição é sentimento. Ela não passa pelo crivo do racional. Se algo, alguém ou alguma situação não se harmoniza com as suas emoções, este é um claro sinal de alerta: há algo errado ...  Racionalizar, muitas vezes, faz-nos tomar decisões que vão de encontro ao que nossa intuição aponta, simplesmente por falta de comunicação interna, por falta de atenção...  Ter a coragem de quebrar os vínculos e de pegar o caminho para o desconhecido incomoda; por isso, muitas vezes, escolhemos  as estradas conhecidas, já atravessadas, unicamente para não precisarmos desfazer os laços, para não precisarmos mudar.  Obstruímos o caminho. E aí surge a dor. O amor é coragem . É ouvir a intuição e, com a chancela da razão, abrir os portões do mistério, rumo à sua verdadeira essência, à sua história única e irrepetível. "Há tantos caminhos, tantas portas... Mas somente um tem coração", Raul Seixas.