Divagações.
(02/02/2019)
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Num espaço vazio, escuro e silencioso, ligo meu projetor 3D, cujas imagens do holograma aparecem aos poucos. De súbito, como num piscar de olhos, milhares de formas holográficas diferentes coexistem. Esbarram umas nas outras; comem umas às outras. Elas não percebem que são projeção?
Não. E aos poucos estas imagens virtuais começam a criar ruídos, depois sons... e num instante lá estão elas: inventando a linguagem, e a escrita, e o papel. Descobriram que guardar palavras criadas num papel de holograma é uma forma de passar para os próximos hologramas os seus modos de analisar o mundo à sua volta.
E percebem a matemática, que subjaz na sua própria forma de holograma. E descobrem o mistério, tentando descifrá-lo pela astrologia, pela numerologia e pelo tarô, mas sem dar-se conta de que todas essas ferramentas apenas traduzem em linguagens diferentes o código-chave do holograma. Afinal, em cada partezinha ínfima de um holograma coexiste todo o seu gráfico.
Pobres imagens. Criariam a linguagem e acreditaram no zumbido derivado da junção de palavras. Reconheceram-se enquanto palavras mortas tentando descrever a imagem da memória... morta. Não compreendem que essas imagens têm o seu lugar no banco de dados do holograma, por isso confiam cegamente no que acreditam.
Olhe para elas... Identificam-se com esses devaneios, mas não percebem que são apenas hologramas flutuando no espaço vazio, escuro e silencioso.
Não... mas o que é isso? O que aquela imagenzinha de uma criatura comum está fazendo? Ela conseguiu parar de divagar sobre palavras mortas de memórias mortas. Ela parou para sentir além do holograma... Veja, amigo! Olhe lá! O que há naquele rosto? O semblante do gozo...
Eis o verdadeiro segredo do viver: desidentificar-se com o personagem holográfico. Esquecer as memórias, que são palavras e estão mortas. Olhar para dentro de si mesmo e finalmente encontrar... Sem titubear. Com coragem. Olhar para si e perceber o infinito vazio que ÉS. Que SOU. SOMOS... O Ser.
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