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Mostrando postagens de agosto, 2020

Toda verdade é parcial.

Toda interpretação é parcial. Não há como ser diferente: eu enxergo, e associo, somente os pontos que estão à minha disposição. Cada pessoa observa os detalhes de um fato de acordo com os ensinamentos que recebeu ao longo da sua história pessoal. Existe, portanto, uma verdade que seja absoluta? Seria a “verdade consensual” uma verdade absoluta ou tão somente uma narrativa compartilhada? Existem pessoas que percebem detalhes que a maioria das outras pessoas não conseguem enxergar. É daí que surgem os grandes filmes, os clássicos literários e as correntes filosóficas. É daí, inclusive, que na ciência são criadas teorias e de onde são refutadas estas mesmas teorias. A única Verdade é a Vida - que é neutra, imparcial e implacável. Tudo o mais são narrativas mentais, baseadas nas interpretações e nas observações de pessoas que vieram antes de nós. Compreender isso nos liberta para buscarmos as percepções que mais se adequam a quem verdadeiramente somos e a quem genuinamente almejamo...

Sobre a verdade por trás da luta contra a legalização do aborto.

Num mundo ideal, ninguém deveria abortar. Não por ser imoral ou errado, mas porque há poucas coisas que sejam tão invasivas e traumatizantes para o corpo e para o psicológico de uma mulher. Não conheço ninguém que diga "o meu sonho é abortar" ou "abortei e foi maravilhoso. Recomendo". Você conhece? Não desejo a ninguém precisar passar por experiência de tamanho horror, mas desejo menos ainda a realidade em que vivemos. Hoje em dia, só aborta em clínicas, clandestinamente, quem pode arcar com os custos - que são altos. Quem não pode, que aborte em casa, no próprio banheiro - sujeita à própria sorte: de uma infecção grave até a morte, sem qualquer amparo, sem qualquer proteção institucional. Os abortos não deixaram de existir porque algumas dúzias de legisladores quiseram. Eles só se tornaram cada vez mais escondidos, silenciados. Quantas mulheres expõem, publicamente, suas dolorosas experiências? Pouquíssimas. E é esse silêncio ensurdecedor que cria espaço para uma p...